quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aquela

de que me adianta
fazer terapia
se é pelos teus pés que morro
se me atiro, insandecida
você é o meu acidente de percurso favorito
que me acelera o coração
quem diria
depois de todos esses anos
eu aqui, boba
insegura
meio loca
&
meio criminosa
canto mantras e peço a deus
pra me manter inteira, íntegra
mas só ele sabe
o quanto eu gosto desse perigo constante de viver amando
um homem
que não me ama

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sangria Desatada

quero cozinhar pra você, quero ser ser o chão que tu pisa
quero ser a chave da tua casa, quero ser a razão dos teus dias, a luz que você venera, os livros que te corrompem
a fé que você não tem e o deus que você despreza
tudo
quero ser o que você vê no escuro do mundo
que como cazuza bem sabe, é onde esta o que você quer
quero ser a chuva violenta que caí solene e te arrasta
que destroí você 
destroí a mim
 você é o trem atrasado e furioso
que atropelou a minha vida naquela curva
e eu nunca mais voltei

é difícil estabelecer limites quando você não os reconhece;
não há limites,
não há fronteiras,
não há linhas de frente para o combate em tempos de paz.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

não quero que passe nunca
mesmo quando outro estiver dentro de mim
mesmo quando eu cuspir os meus dentes num acesso de fúria descabida
e mesmo quando eu me atirar no rio Pinheiros
é que eu te quero aqui
nas minhas veias
pulsando doloramente e me fazendo enlouquecer
como uma ferida purulenta
maldita e purulenta
porque esquecer é silêncio.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Camille & Rodin ou a gente nasce pra ser aquilo que é

Rodin disse pra Camille:
Suma daqui com suas mãos!
mas acontece que aquelas mãos eram dele, somente dele
aquelas mãos eram ele em sua expressão máxima de contentamento
e Camille, em sua loucura completa de amor prefiriu
ficar sem elas, as mãos,
mas ficar com ele completo, vil e sereno

Daí que eu não sei escrever poesia
e meu lirismo nunca foi lá grandes coisas
porque né, nem tudo o que é passional é pra ser escrito
e eu não sou essa moça
cândida, doce, poética, linguista,
sou essa aqui
mulher de mim
louca, como Camille,
que prefere ficar sem as partes
em frangalhos
sendo sumariamente o que nasci pra ser
de tudo um pouco
de nada
animal
que na loucura não reconhece o outro
extirpe e grita
até se encontrar numa poça de sangue e porra

aly




terça-feira, 26 de junho de 2012

ternura

não posso ser tão dura comigo mesma.
a vida que eu escolhi viver é essa. de doação, de amor, de comunicação.
e às vezes a gente dá umas derrapadas
se sente vazia
e não há a dizer
simplesmente não há
e tudo bem
podemos falar do Corinthians
podemos falar sobre o tempo
podemos falar sobre as minhas músicas tão minhas
e eu posso continuar a minha vida
sabendo
de tudo o que eu soube desde o principio dos tempos
tem algo em você
que pulsa num ritímo quase sexual
quase sangrento
quase bonito
você está sempre no quase




segunda-feira, 4 de junho de 2012

Matan

as coisas brilham
ou eu que tô muito louca
cheguei numa cidade
pra visitar velharias e pedras
arrasada
inundada
contentamente infeliz
e você brilhou
com seus olhos cor de fogo
vindo de uma terra santa e distante
tudo em você é sagrado
você me tirou de dali
e me fez voltar
pro ponto onde eu nunca devia ter saido
que é
acreditar no destino
nas coisas bonitas
na porra da vida
que fluiu de você pra mim
num ritimo lindo
lindo,
falamos num lingua
que não era nem minha nem tua
e foi assim que eu compreendi
que não se pode fugir
da sua própria natureza
seja lá o que isso represente nos dias de hoje
e pra me ensinar
que os judeus
são simplesmente sexys quando falam em hebraico.