sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

aclive

o fio condutor entre tu e eu
                                       é a morte
não a tememos, nunca
nem tempestade nem palavra pouca
divergimos acerca de seus propósitos
eu, de redenção
tu, de castigo
fim, findado
finito e imutável
sem cor e sem glória
sem laço, sem passado nem nada
é a simplicidade versus a aflição
é a versão do teu mundo diante
                                    dos meus olhos cadentes
espero a vida passar em banda
já que és o teu avesso
canto versos de marola e te
                                     embalo em meu peito
"dormes, que é noite"
cuido de ti e velo
tudo o que há de mais
                                 precioso
de mais belo
e de mais silêncioso
morte doce, vida curta
amor de passáros que voam em círculos

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

quântica

vem cá
eu sei que o meu amor te constrange
sempre constrangeu
porque eu quero te sugar até a alma
derramando todas as palavras em cima de você
não cabe
eu sei
e transbordo
saio pelas beradas, louca, correndo
parei o transito só pra dizer

eu fico chorando a beleza inexistente
do que você causa em mim
te criando feitos heroícos
repetindo frases que você nunca me disse
eu sei
é absolutamente ausente
mas eu te tenho aqui 
preso, acorrentado
te faço ficar
pelos motivos errados

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

quero impedir que você morra

então tú está andando por aí
tão seguro e tão cheio de si
esboça até um sorriso
ouvindo essas músicas que me causam afliação
e me doem os ossos todos
de repente, uma catástrofe
uma tragédia
não
eu não permito
nenhum sangue escorrerá de ti
a não ser que seja direto pra mim
pras minhas veias sedentas
nada lhe fará mal
nada lhe doerá
pelo menos não tanto
a pento de lhe causar um ferimento mortal
te dou um rim
falo com Deus, se for o caso
negocio com a morte e dou minha vida como garantia
essa e as mil outras
ando com um desfibrilador na bolsa
pra garantir que teu coração aguente
&
me aguente
árvore da esperança
mantém-te firme
posso lhe salvar de tudo
menos de tu mesmo

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

heart(a)che

ouço as batidas do meu coração
misturadas ao compasso lento do trem que corre
a vida escoa lá fora
desaguando em rios putrefatos, amarelos e levemente mortos
a minha covardia atingiu nivéis 
nunca antes pensados
a minha fobia de encarar você é tão ridícula
que me olho no espelho
&
me traio
sabendo que de vítima eu não tenho nada
nem o nome
sou uma construção inacabada
sou uma mulher de costas no parapeito de um prédio em chamas
esperando qualquer redenção
cabível
assumindo papéis 
que não me cabem
espremendo meu peito numa vala comum
ordinariamente me entragando a medos tão antigos
quanto a própria morte
que grande clichê a minha vida se tornou

domingo, 16 de dezembro de 2012

domingo

chove uma chuva que eu gosto. quase quente, espantando as pessoas para os seus abrigos cômodos, onde esses pingos não podem mostram quem realmente são. raios. o momento da incompreensão, do quero aquilo que não sei o que é, do sou aquilo que não posso ser. em algum momento eu me mantive imóvel, um porque não sabia como me mover de qualquer forma, e dois porque aquilo tudo era só uma recordação estúpida. isso só pode ser o fim do mundo, eu penso. mas mesmo se fosse, você não daria a miníma, é esperto demais pra isso. e é por isso que você não espera nada de mim. não posso te dar nada, e você sempre soube disso.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

pensando na vida, pensando na morte

A semelhança entre um animal selvagem e eu
é que eu também pressinto quando a tempestade vai chegar
antes do primeiro trovão estourar no ceú
A diferença entre um animal selvagem e eu
é que quando se vê ameaçado
acuado
em perigo
e torturado
o animal ataca o outro
e eu ataco a mim mesma

Pressão Arterial Sistólica

me senti mal
tava pra morrer
mas era daquelas mortes anunciadas
me disseram que deu na tv
e eu lá
me examinaram toda
me viraram do avesso
me mexeram inteira
o que eles não sabiam
é que eu não dormia há dias
e que eu era um ser humano que vivia
de coca-cola, cigarro e brisa
tão fraca, tadinha
devastada e bonita
quase mórbida
um retrato
 gritaram que era pneumonia
doença de chagas
fotofobia
falência multipla dos orgãos
e
anemia
mas era nada
era só inconstância
falta de tato
meu coração que batia errado
no passo torto
angustiado
era susto