terça-feira, 16 de abril de 2013

redial

todos os dias, todas as horas... eu observo a vida passar desesperadamente, correndo contra o tempo infinito.Abre essa porta, deixa o sol mergulhar de novo naquilo que chamamos de vida. O tempo terá acabado e eu estarei perdendo com glamour. Então porque apostar? Porque você acha que eu sou como eles, mas eu não sou. Deixa eu te contar a primeira parte dessa história. Quando você estiver caminhando de volta para casa sob a chuva que tanto gosta, as gotas em seus ombros pesaram uma tonelada. Eu quis estar errada sobre todos,todos,  menos sobre você, só pra minha consciência não me consumir. Você não compreende não é? Parece que não nos magoamos o suficiente. Quantas vezes ficamos juntos fugindo da tempestade lá fora, cujos ventos gelados poderiam nos levar a lugares mais ensolarados? Você realmente não compreende.... As ironias estão em nosso destino de guerra. A força das palavras nos faz cair abrupamente, perdendo nossos laços e vinculos. todos os dias, todas as horas... mais uma promessa foi quebrada. você não sentiu a minha falta porque sabia que eu sempre estaria lá, não é? O amor acaba. Eu amo a cicatriz, não a ferida.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

esse texto é pro meu tio, claudio moreira pinto

hoje (e talvez só por hoje) eu não consigo ter fé. eu não consigo enxergar o que é o amor. não consigo entrar em sintonia com o mundo. eu não consigo crer nas pessoas.
é lógico, é obvio, é claro como a água que uma desilução amorosa de proporções continentais faz isso com a gente. eu sei.
é muito estranho, e além de tudo é muito, muito difícil transpirar ódio. destilar veneno. ficar amarga. ficar doente.


porém...
é nesse exato momento da minha vida, onde tudo está desmorando, onde eu quero vomitar meu café e comprar uma arma, que eu me sinto mais amada. porque eu tenho uma pessoa chamada claudio moreira pinto.
esse é meu tio, o mais errado, o mais torto, o mais problemático da minha familia.
eu não consigo pensar em alguém que eu ame mais nessa vida.
daquele tipo de amor incondicional, de matar e morrer.
de largar tudo, porque só ele faz sentido.
de transbordar, de sanar todas as feridas abertas, vermelhas
meu coro tá saindo
meu estomago tá embrulhado
eu tô meio morta, pra ser sincera
e ele me chega em casa, me encontra prostrada e CANTA pra mim:


"Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar
Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar"

obrigada por me amar tanto. obrigada por me dar chão, me dar base.
é uma gratidão que não tem limite.
você me tem pra sempre.


terça-feira, 9 de abril de 2013

crescente fértil

amo porque dói
pelo mesmo motivo que brigo com a minha mãe
pelo mesmo motivo que risco meu corpo com tinta e sangro,
espalhando tatuagens dentro da alma
pelo mesmo motivo que ouço música alta que grita e dilacera,
com tanta intencionalidade e certeza, com tanta convicção
que a fluidez se torna o único caminho possível
pelo mesmo motivo que as bolsas de sangue se esvaziam e eu olho,
apaixonada, sã e sem nenhum tipo de lentes
pelo mesmo motivo que lambo os dedos e me delicio com o que há de mais prazeroso e errado
pelo mesmo motivo que a terminologia e a simbologia das palavras me tomam e me dizem
"vai lá, tenta de novo",
pelo mesmo motivo que todos os mares desaguam em mim, fundo
pelo mesmo motivo que te leio nas entrelinhas e sei da sua predileção pelo inverno
fosse de outro modo
eu estaria condenada a viver
uma vida de acasos
e nada mais

terça-feira, 2 de abril de 2013

Pacífico

então foi que eu
entendi o que era mar aberto
é assim, como teu peito,
revolto, sem amarras,
sem defesa, sem filtro
ele é
apenas sendo
e te avisam para não nadar nele
e te avisam que suas correntezas te arrastarão
e te avisam sobre a sua profundidade sombria e silenciosa
e te avisam que o risco é seu
mas não há
nem como pensar em resistir
e banhar-se em suas águas
é apenas o sentido da vida toda
é tudo que você esperou
ouvi suas ondas no quebra-mar
entrei em ti
e soube do meu lugar no mundo

tenho aqui todas as cores de que preciso,
e esse sol que aquece a América
uma língua que se enrola e não é a
minha pátria, pária:
ainda sim penso em todos os dias chuvosos que perdi ao teu lado

segunda-feira, 4 de março de 2013

Mar Cáspio

todas as coisas que você me disse eram verdades -  partiremos desse ponto e buscaremos juntos tudo o que me tornei,
eu velejei pela primeira vez em suas ondas anos atrás, quando a beleza dos dias era o que contava e
quando todas as confusões de nossas vidas pequenas eram nuvens, suaves e sem contorno. bruma, eu rodava pelos lados, esperando, esperando e esperando. era a vida que era assim, e não eu. porque eu não era naquela época, eu fui sendo depois, construindo meu castelo de pedras dia após dias depois que a tormenta passou. mas não era uma história linear, eu vivia de contos, de apego, de passados que nunca existiram, eu vivia com as sirenas e clamava pela luz do dia no mediterrâneo. eu saí sozinha, viajando pelo mundo apoético e apocalíptico, vazio, bonito, eu queria ver as estatuas, eu queria serviar àqueles deuses todos, aquelas cores todas.
{você}E eu nunca soube o que era marola e o que era tsunami. eu estava sempre no meio-fio, meio-termo, mar virado, ventania insana sobre a minha cabeça que descia em espiral por coisa qualquer. vou pelo mais mediocre dos suspiros,  pela respiração ofegante dos que estão prestes a desestar.
deserto de mim mesma para poder me jogar em você, com adoração e desespero.



eu não queria acordar, eu nunca quis, você não percebe?



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

you're the storm (that I believe in)

então eu vi a tua tatuagem e era como se meu corpo inteiro estivesse quebrado. eu nunca pertenci a mim, eu sempre fui desfrutável a ponto de me perder a cada esquina, a cada névoa, em cada pedaço teu que eu vi desnudo. tu me teve no momento em que disse todas as palavras certas no tempo errado. tu me teve quando eu bati as pestanas e queimei meus olhos venerando o sol. eu queria que tu fosse possível, então eu rezei. eu, sem fé em nada que não me transponha ao mais verde dos mares. sou a sina dos navegantes, o farol que deixou de acender para que os homens se perdessem. as sereias, onde será que elas estão? tua pele que me arranha e eu anseio por isso, tu me corta com a barba e faz isso porque eu adoro com a mesma paixão da primeira vez. tu és meu ritual de passagem e eu posso na loucura dos meus dias completos e amenos desligar-me de tudo o que vivemos, não porque posso, mas porque amo. esse amor que nos redime e nos une e nos separa e nos faz loucos. eu estava indo embora, tu sabes. mas eu fiquei. tua complacência nos dias de fúria, o som dos trovões e tudo isso. obrigada, tempestade.