segunda-feira, 22 de abril de 2013

Conforto

esse sofrimento
que também é transformação
deve ter acontecido pra dar uma sacodida na poeira da minha vida
que tava assim, mei sem eira nem beira
daí eu ouço chico buarque, esse muso
dizendo que amanhã vai ser outro dia
e pá
vai mesmo
dizendo também pra eu não me afobar, não, que nada é pra já
e todos esses emails que me chegam
e pasmem
nenhum é teu
e bagunça permanente de uma vida mutável
shiva
chuva
tú transformas, e me transtorna e me põe a pensar
arrumei o quarto, joguei tantas coisas fora
li uns mantras, acendi uma vela
pedi pela minha sanidade, me vi em águas, passadas:
esse grande moinho vai continuar girando
que pequenos nós somos,

grandes apenas em nossas mediocres confusões diárias
não tem importância mas é tudo tão  urgente

vejam bem:
não é

vida ciclíca.
um café, um cigarro e uma conversa fraca: tá aí a minha resposta, lenta e cálida, pra qualquer desses impasses insóluveis.




sexta-feira, 19 de abril de 2013

das amenidades da vida, parte I

quando você sofre por um pastel de feira
é que o bagulho é muito mais embaixo.




(que vidinha piegas, minha nossa senhora da aparecida do norte)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Golfo Pérsico e o tempo

assim, amanheceu outro dia. estou atrasada.
amanheceu mais um dia e os dias vão continuar amanhecendo, não importa o quão insuportáveis e insustentáveis sejam as nossas dores
este blog não era sobre mim
sobre esta aline que vos fala
quebrada, meio louca, sem direção pra vida nesse momento.
era sobre pseudo-poesia, pseudo qualquer coisa. era bem mais sobre você, sobre a minha percepção do mundo ao amar alguém. sobre o lirismo dos meus pensamentos quando eu estava conectada a algo maior, muito maior que eu.
era sobre amar.
-aline, sua ridícula, eu penso.

acendi mais um cigarro, usei mais uma vez essa jaqueta de couro.
minha casa tá uma zona, tá tudo errado, tá tudo fora do lugar. a vida.
me sinto tão exposta, tão nua. nem minhas tatuagens podem esconder o que eu sou.
nada me cobre. 
eu sorrio. porque eu sei sorrir, sempre soube. E o desespero me causa tanta repulsa que sou capaz de qualquer coisa pra me manter sã. SÃ, observe só essa palavra. Eu, tão mulher de mim, me vi sozinha, perdida e parcialmente acabada. é a reviravolta da vida, crua, é nadar com os tubarões. Se joga, se vira, dá seus pulo, você tem que levantar da cama e levantar essa porra de cabeça. não é assim a música-mantra da sua vida? "Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé"?
tenho ouvido toquinho e vinícius o dia todo. se fosse um disco, era capaz de riscar. porque olha, sei ser bem obssessiva às vezes.e sabe no que eu sou mais obessessiva nessa vida?
em sobreviver.

"é que os momentos felizes tinham deixado raízes no seu penar"

é mais do que falta o que eu sinto em mim. é mais do que poder ou não poder sofrer, é mais do que segurar essa onda, é mais do que o ódio em seu estado mais puro. é mais. é tão sem tamanho, é sem nome, é ser orfã de mim mesma.

esse blog não era sobre mim.

esse blog agora é sobre o tempo.
o tempo de renascer, o tempo de ser fénix, o tempo de ser miserável, o tempo da tormenta, o tempo de ouvir o seu maldito nome e não morrer. de novo. de desgosto, de coléra, de tétano, de úlcera, de morte morrida.
porque não é mais sobre morrer isso aqui.
é sobre como viver meus dias comigo.
eu de novo

meu golfo pérsico,
eu sou amor também


esse blog sempre foi sobre mim.





terça-feira, 16 de abril de 2013

redial

todos os dias, todas as horas... eu observo a vida passar desesperadamente, correndo contra o tempo infinito.Abre essa porta, deixa o sol mergulhar de novo naquilo que chamamos de vida. O tempo terá acabado e eu estarei perdendo com glamour. Então porque apostar? Porque você acha que eu sou como eles, mas eu não sou. Deixa eu te contar a primeira parte dessa história. Quando você estiver caminhando de volta para casa sob a chuva que tanto gosta, as gotas em seus ombros pesaram uma tonelada. Eu quis estar errada sobre todos,todos,  menos sobre você, só pra minha consciência não me consumir. Você não compreende não é? Parece que não nos magoamos o suficiente. Quantas vezes ficamos juntos fugindo da tempestade lá fora, cujos ventos gelados poderiam nos levar a lugares mais ensolarados? Você realmente não compreende.... As ironias estão em nosso destino de guerra. A força das palavras nos faz cair abrupamente, perdendo nossos laços e vinculos. todos os dias, todas as horas... mais uma promessa foi quebrada. você não sentiu a minha falta porque sabia que eu sempre estaria lá, não é? O amor acaba. Eu amo a cicatriz, não a ferida.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

esse texto é pro meu tio, claudio moreira pinto

hoje (e talvez só por hoje) eu não consigo ter fé. eu não consigo enxergar o que é o amor. não consigo entrar em sintonia com o mundo. eu não consigo crer nas pessoas.
é lógico, é obvio, é claro como a água que uma desilução amorosa de proporções continentais faz isso com a gente. eu sei.
é muito estranho, e além de tudo é muito, muito difícil transpirar ódio. destilar veneno. ficar amarga. ficar doente.


porém...
é nesse exato momento da minha vida, onde tudo está desmorando, onde eu quero vomitar meu café e comprar uma arma, que eu me sinto mais amada. porque eu tenho uma pessoa chamada claudio moreira pinto.
esse é meu tio, o mais errado, o mais torto, o mais problemático da minha familia.
eu não consigo pensar em alguém que eu ame mais nessa vida.
daquele tipo de amor incondicional, de matar e morrer.
de largar tudo, porque só ele faz sentido.
de transbordar, de sanar todas as feridas abertas, vermelhas
meu coro tá saindo
meu estomago tá embrulhado
eu tô meio morta, pra ser sincera
e ele me chega em casa, me encontra prostrada e CANTA pra mim:


"Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar
Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar"

obrigada por me amar tanto. obrigada por me dar chão, me dar base.
é uma gratidão que não tem limite.
você me tem pra sempre.


terça-feira, 9 de abril de 2013

crescente fértil

amo porque dói
pelo mesmo motivo que brigo com a minha mãe
pelo mesmo motivo que risco meu corpo com tinta e sangro,
espalhando tatuagens dentro da alma
pelo mesmo motivo que ouço música alta que grita e dilacera,
com tanta intencionalidade e certeza, com tanta convicção
que a fluidez se torna o único caminho possível
pelo mesmo motivo que as bolsas de sangue se esvaziam e eu olho,
apaixonada, sã e sem nenhum tipo de lentes
pelo mesmo motivo que lambo os dedos e me delicio com o que há de mais prazeroso e errado
pelo mesmo motivo que a terminologia e a simbologia das palavras me tomam e me dizem
"vai lá, tenta de novo",
pelo mesmo motivo que todos os mares desaguam em mim, fundo
pelo mesmo motivo que te leio nas entrelinhas e sei da sua predileção pelo inverno
fosse de outro modo
eu estaria condenada a viver
uma vida de acasos
e nada mais