quinta-feira, 2 de maio de 2013

é segredo que desejo teus braços
em silêncio
segredo que as partes do teu corpo me tomam
de assalto
segredo que vejo tua língua enrolar para dizer-me as palavras erradas
e gozo
vejo todas essas partes defeituosas em ti
cada pedacinho
coberto de minha saliva pura
&
escassa
saliva
eu comia com sofreguidão
me arrastando, imensa e profunda
largo, nada
tens olhos tão bonitos
gostaria de poder nadas neles.

sábado, 27 de abril de 2013

acabei de preparar um gnocci a pizzaiolo. massa e molho caseiros, feitos por mim.


agora vamos sentar no meio-fio e chorar?

tempo, eres más fuerte!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

das amenidades da vida, parte II


 "Well, my conclusion is:
 Hate is baggage. 
Life's too short to be pissed off all the time. 
It's just not worth it."



bom, minha conclusão é: 
quando você tá triste, até o sensual edward norton de nazista te ensina algo.

terça-feira, 23 de abril de 2013

uma carta para frida kahlo


frida,



às vezes eu me sinto a mulher nesse quadro, friducha. me sinto você, quando diego, com toda a sua gordura e maluquice fez com que você chorasse, chorasse sangue e sofresse feito uma maldita.
o destino tem dessas coisas né? eu fui até a tua casa, aquela casa azul maravilhosa, fui celebrar a vida, as cores e a nossa ligação de outro mundo. foi provavelmente quando eu tava lá, contemplando tua cama e teu espelho de pintar que a casa caiu. a casa caiu friducha, e hoje, somos mulheres que reconhecem na dor o ponto de mudança e reviravolta de tudo o que vivemos.
tú me dá força, porque apesar de toda a adversidade o que eu vejo em suas obras, pequenas e intimistas, é a temperança. é a temperança que rege o mundo dos homens que erram. erram e nossos fazem tosar nossos cabelos, beber feito vaqueiros e blasfemar a vida. tua casa é tão linda, frida. tua casa é minha casa.
você sabe que isso é sobre perdoar né, frida? nos perdoar e perdoar o outro, ter essa coragem de seguir em frente. mas como eu li há pouco: there ain't no point in moving on til you got somewhere to go.
não perdoar é adoecer, e nós sabemos disso. não perdoar é não ter (a) onde ir.
me sinto tão pirada.
me sinto tão lúcida.
queria desligar esse piloto automático e cair no mar.
a salmoura me cura.
queria voltar e cultuar o senõr del veneno, na cidade onde meu coração se espatifou.
eu senti, frida. senti, assim como você sentiu quando (momentanêamente) perdeu seu panzon.
a gente sente. mulheres cancerianas e a dor de carregar o mundo. de gerar o mundo. de apaziguar o mundo.
esse seu quadro é tão emblemático pra mim.  tenho "unos cuantos piquetitos" impresso na minha mesa há anos, e sempre senti empatia pela mulher morta, nua e sem um par de sapato. nunca soube exatamente porquê, sempre pensei que fosse cancêr mais uma vez regendo a minha singela vocação de sofrer. mas não. essa mulher é você e sou eu também, e somos todas. todas.


porém (sempre haverá um porém, friducha) eu também me sinto você em "arbol de la esperanza"



"árvore da esperança, mantém-te firme"
se eu já não tivesse uma frase tua marcada nas minhas costas, eu escreveria essa.
você tem uma postura tão bonita, tão digna. serena, clara, viva.
"chora na tua cama que é lugar quente".
não importa o quão partida e dilacerada. tú botou o vestido mais vermelho de todo México e foi ser.

essa frase é sobre não ser covarde na vida.
deve ser por isso que eu te amo tanto, frida. mulheres corajosas, como as que tenho na minha familia, me inspiram a viver.
estou numa contra mão danada. porque às vezes eu só queria sentar no meio-fio e chorar um pouco pra lavar essa alma encardida.
às vezes não sinto força nos pés pra trilhar esse caminho.

mas a força tá aqui. em algum lugar.
assim como as suas cores que aquecem o inverno nesse círculo polar que a minha vida se tornou
suas cores me movem em apenas um sentido agora
único
unidade
ser
perdão


 obrigada, Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón
 minha  friducha,

da tua,
ali.


(olhos de sereia)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Conforto

esse sofrimento
que também é transformação
deve ter acontecido pra dar uma sacodida na poeira da minha vida
que tava assim, mei sem eira nem beira
daí eu ouço chico buarque, esse muso
dizendo que amanhã vai ser outro dia
e pá
vai mesmo
dizendo também pra eu não me afobar, não, que nada é pra já
e todos esses emails que me chegam
e pasmem
nenhum é teu
e bagunça permanente de uma vida mutável
shiva
chuva
tú transformas, e me transtorna e me põe a pensar
arrumei o quarto, joguei tantas coisas fora
li uns mantras, acendi uma vela
pedi pela minha sanidade, me vi em águas, passadas:
esse grande moinho vai continuar girando
que pequenos nós somos,

grandes apenas em nossas mediocres confusões diárias
não tem importância mas é tudo tão  urgente

vejam bem:
não é

vida ciclíca.
um café, um cigarro e uma conversa fraca: tá aí a minha resposta, lenta e cálida, pra qualquer desses impasses insóluveis.




sexta-feira, 19 de abril de 2013

das amenidades da vida, parte I

quando você sofre por um pastel de feira
é que o bagulho é muito mais embaixo.




(que vidinha piegas, minha nossa senhora da aparecida do norte)