terça-feira, 22 de abril de 2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

Hold your hair in deep devotion



how deep?



at least as deep as the pacific ocean



(I wanna be yours)




sexta-feira, 11 de abril de 2014

sem título (possível)

a sardela
que corta e salga o céu da minha boca
vermelha de amor
picante, como a vida deve ser
me transporta pra outra vida
outro século
tão distante de mim
tão cheia de cor
especiarias
eu & tu
nús
essa nossa paixão em comum
eu
tu
e as memórias agridoces
corredores de mercado
que exalam euforia
remotas
passadas
tua boca saboreava a iguaria
tu  sorria;
nunca mais tua boca vermelha de sardela
nunca mais a inconsistência dessa vida fluída

das músicas que eu gostaria de ter escrito, parte IV

Futuros Amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios no ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

chico buarque de hollanda, futuros amantes, paratodos, 1993.

quarta-feira, 26 de março de 2014

e de repente naquele sonho, a rainha má que sempre parte meu coração veio trazer a boa nova. e eu, lutando bravamente para existir, só consegui dizer: "ás vezes tenho a impressão de que esse sofrimento nunca vai passar."
Eu podia sentir o compasso; meu coração estava pesado, cansado de levar aquele fardo, aquele morto, que insistia em reviver em meus sonhos, em todos eles, encenando diferentes papéis aos longos dos dias que viraram semanas que viraram meses. eu não podia mais esperar e de certa forma era a única coisa que eu podia fazer.
"A vida é aquilo que acontece enquanto você está esperando seu coração sarar".

quinta-feira, 6 de março de 2014

one for the road

aquela estação
onde dois gringos impediram as portas de fechar
ME CAUSA ALGUM TRANSTORNO
aquela estação, aquela mesma
onde namorados trocavam gracejos elegantes,
toda vez que o trem estaciona naquela plataforma
algo em mim morre
eu sinto um amor liquido claustrofóbico
eu olho para os lados
vermelhos como a China comunista
leio sua lingua tupi-guarani enrolada
é muito sensivel
e mesmo quando eu não percebo
meu coração se esvazia
e o mundo para por alguns segundos,
e quando o trem parte
não há nada de novo

eu me tento a pensar
eu me desafio a crer
que estou no lugar onde deveria estar
que não é em seus braços
comendo pipoca
sentindo seu cheiro
me perdendo em seu cabelo
em sua barba
chorando escondida no banheiro
temendo pela minha sanidade mental
tremendo de amor
te esperando pra dormir
esperando sempre pelo último dia
pelo último trago
pelo último beijo
sabendo do fim próximo
aproveito
a calmaria que precede a tragédia
o silêncio que precede o esporro