A semelhança entre um animal selvagem e eu
é que eu também pressinto quando a tempestade vai chegar
antes do primeiro trovão estourar no ceú
A diferença entre um animal selvagem e eu
é que quando se vê ameaçado
acuado
em perigo
e torturado
o animal ataca o outro
e eu ataco a mim mesma
máscaras, vestidos, ilusões, serpentinas, amor, contemplação, feriado, devoção, fantasia, coloração, política, ardor, colombinas, enxaqueca, juventude, enredo, comoção, ternura, bebedeira, consciência, jogo, pierrot, literatura, apuração e quarta-feira de cinzas
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Pressão Arterial Sistólica
me senti mal
tava pra morrer
mas era daquelas mortes anunciadas
me disseram que deu na tv
e eu lá
me examinaram toda
me viraram do avesso
me mexeram inteira
o que eles não sabiam
é que eu não dormia há dias
e que eu era um ser humano que vivia
de coca-cola, cigarro e brisa
tão fraca, tadinha
devastada e bonita
quase mórbida
um retrato
gritaram que era pneumonia
doença de chagas
fotofobia
falência multipla dos orgãos
e
anemia
mas era nada
era só inconstância
falta de tato
meu coração que batia errado
no passo torto
angustiado
era susto
tava pra morrer
mas era daquelas mortes anunciadas
me disseram que deu na tv
e eu lá
me examinaram toda
me viraram do avesso
me mexeram inteira
o que eles não sabiam
é que eu não dormia há dias
e que eu era um ser humano que vivia
de coca-cola, cigarro e brisa
tão fraca, tadinha
devastada e bonita
quase mórbida
um retrato
gritaram que era pneumonia
doença de chagas
fotofobia
falência multipla dos orgãos
e
anemia
mas era nada
era só inconstância
falta de tato
meu coração que batia errado
no passo torto
angustiado
era susto
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Sinto uma coisa por ele que meu coração não ousa classificar
o teu amor é uma mentira
que a minha vaidade quer
e o meu poesia de cego
você não pode ver
não pode ver que no meu mundo
um troço qualquer morreu
num corte lento e profundo
entre você e eu
eu nunca quis te cortar da minha vida. nunca. entre todos os propósitos, todas as coisas que nós dissemos um ao outro, você nunca saiu. porque um dia eu acordei e amei você, amei com a intensidade de quem ama o sol. era tão bonito, tão completo. não me desfaço de você para não me desfazer de mim, sem laço, sem glória.
e quando você diz que minha respiração muda, que meu tom de voz muda é porque eu me agrego a você na tentativa de entender o sublime que há em nós.
você entende?
eu disse tanta vezes o seu nome dentro de mim.
e quando eu te odeio, quero dizer que sinto muito por tudo o que você causou, sinto muito por te querer bem sempre. E só Deus sabe o quanto isso é horrível.
querer bem a quem nos mutilou é como sangrar até morrer
é a alegoria dos desesperados
é a irônia maior da vida
no principio era o caos
enxergar na morte a vida
enxergar a morte em você
e em toda a temperança que nos rege.
(texto publicado originalmente no zipadas, em 22/06/2009)
Aquela
de que me adianta
fazer terapia
se é pelos teus pés que morro
se me atiro, insandecida
você é o meu acidente de percurso favorito
que me acelera o coração
quem diria
depois de todos esses anos
eu aqui, boba
insegura
meio loca
&
meio criminosa
canto mantras e peço a deus
pra me manter inteira, íntegra
mas só ele sabe
o quanto eu gosto desse perigo constante de viver amando
um homem
que não me ama
fazer terapia
se é pelos teus pés que morro
se me atiro, insandecida
você é o meu acidente de percurso favorito
que me acelera o coração
quem diria
depois de todos esses anos
eu aqui, boba
insegura
meio loca
&
meio criminosa
canto mantras e peço a deus
pra me manter inteira, íntegra
mas só ele sabe
o quanto eu gosto desse perigo constante de viver amando
um homem
que não me ama
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Sangria Desatada
quero cozinhar pra você, quero ser ser o chão que tu pisa
quero ser a chave da tua casa, quero ser a razão dos teus dias, a luz que você venera, os livros que te corrompem
a fé que você não tem e o deus que você despreza
tudo
quero ser o que você vê no escuro do mundo
que como cazuza bem sabe, é onde esta o que você quer
quero ser a chuva violenta que caí solene e te arrasta
que destroí você
destroí a mim
você é o trem atrasado e furioso
que atropelou a minha vida naquela curva
e eu nunca mais voltei
quero ser a chave da tua casa, quero ser a razão dos teus dias, a luz que você venera, os livros que te corrompem
a fé que você não tem e o deus que você despreza
tudo
quero ser o que você vê no escuro do mundo
que como cazuza bem sabe, é onde esta o que você quer
quero ser a chuva violenta que caí solene e te arrasta
que destroí você
destroí a mim
você é o trem atrasado e furioso
que atropelou a minha vida naquela curva
e eu nunca mais voltei
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
não quero que passe nunca
mesmo quando outro estiver dentro de mim
mesmo quando eu cuspir os meus dentes num acesso de fúria descabida
e mesmo quando eu me atirar no rio Pinheiros
é que eu te quero aqui
nas minhas veias
pulsando doloramente e me fazendo enlouquecer
como uma ferida purulenta
maldita e purulenta
porque esquecer é silêncio.
mesmo quando outro estiver dentro de mim
mesmo quando eu cuspir os meus dentes num acesso de fúria descabida
e mesmo quando eu me atirar no rio Pinheiros
é que eu te quero aqui
nas minhas veias
pulsando doloramente e me fazendo enlouquecer
como uma ferida purulenta
maldita e purulenta
porque esquecer é silêncio.
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