sexta-feira, 28 de junho de 2013

Esse texto é para Deborah Lindau Pepe. A minha Pepe


[19:05:04] aline moreira do amaral says para deborah lindau pepe:

[é foda quando o amor não tem pra onde escoar né?
a gente só faz esperar
esperar que passe
esperar que as coisas mudem
esperar os bons ventos da melhora
e nada]

meu amor,
eu não consigo imaginar a vida sem você
sem essas conversas

tudo isso teria sido uma catástrofe de proporções inimagináveis se você não estivesse a habitar a minha vida, a minha casa, os meus espaços, o meu skype (!), os meus sonhos. às vezes lembro das nossas conversas non senses enquanto volto pra casa e rio sozinha por horas. você me faz mais leve. e tira alguns pesos das minhas costas, aliviando a dor de uma vida em transição.
a gente briga, e a gente treta, e a gente se xinga.
só faço isso com quem eu amo e respeito. e admiro.
sei que sua vida também não tá fácil.
tamo tudo perdida, desiludida, sem paciência.
 mas você sabe melhor do que ninguém o quanto eu tô aqui pra você, pra lutar, pra chorar, pra celebrar.
e você tem que se dar uma chance.
eu também tenho.
pode não ser amanhã. mas será algum dia
amanhã vai ser outro dia!
porque você é tão contagiante, tão cheia de energia e força vital...
isso vai passar.
você sabe
eu sei.
mas enquanto a tempestade estiver caindo
nós vamos dançar na chuva
nós  vamos entrar nessa onda
porque é isso que a gente faz de melhor


quem tem amigo tem tudo.
então, mandar ver
e tudo o que tiver que ser nessa vida, meu amor, vai ser.




é nóis.

te amo.

 ali





sábado, 22 de junho de 2013

Ana Bolena

"Do you think a crown gives you power?"

um casamento destruído. uma nação desgraçada. você veio feito uma estrangeira, adentrando terras que não eram suas. uma bruxa, uma feiticeira. envenenou o pobre rei, angustiado, depressivo e infantil, alimentando seu ódio contra Leão e Castela. encarcerou a devota e querida rainha a um mar de suplícios sem fim. teus caprichos custaram a vida de milhares de servos, que temerosos, avisaram o pobre rei de suas artimanhas ardilosas. de nada adiantou. você virou a cabeça daquele insano homem feito de carne, osso, sangue e porra; você o fez romper com a Sua Santidade, o Papa de Roma. a ruína, sua, era só uma questão de tempo. aquele homem só te quis porque não te podia ter. você não percebeu isso? a partir do momento que você colocou aquela coroa você deixou de ser a estrangeira exótica e fantasiosa, estrangeira das palavras e inspirações sexuais: você virou a mulher do rei. não se lembra do que aconteceu à última?
você salgou a terra; queimou as pontes; isolou o reino; tirou o sono; decapitou princesas; você era a própria peste e tudo recaiu sobre as suas costas, magras e cansadas. você não segurou nada. como poderia? sempre coloquei a culpa de nossa desgraça em você. a casa caiu. o rei não tinha mais como te justificar. mandou te cortar a cabeça. e tudo isso pra que? por que? pra quem?
o rei, com sua coroa idiota, se safou ileso e foi aclamado pelo povo. coitado. viu sua cabeça rolar e soltou um risinho frouxo de desprezo, de canto de boca. o rei. orei.
eu entendi. você era um demônio muito particular, daqueles que vem ao mundo dos homens para destruir. sua ascensão foi meteórica. sua queda, um espetáculo publico, cheio de rancor e juras de maldição. 
e no final das contas, seu castigo foi muito maior do que a morte: passarás a eternidade toda sendo a outra.
Vem,
Te direi em segredo
Aonde leva esta dança.

Vê como as partículas do ar
E os grãos de areia do deserto
Giram desnorteados.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.


Rumi

sexta-feira, 14 de junho de 2013

a mala

Eu pus tudo o que sobrou de mim naquela mala
devia ter uns quilos nela
eu me esquartejei toda
dilacerada entre
papéis
e
fotos
e memórias
e
tudo
preenchi cada pedacinho dela
com os meus
todo o esforço de uma vida ali
todas as reminiscências
couberam
e enquanto eu ia colocando
o que fomos nós
o que construímos
eu voltava um pouco no tempo
nostálgica, a mala gritava comigo
furiosa
o que doí é o fim, essa angústia
todas as coisas sagradas
que não me pertenciam mais
eu a fechei, eu a lacrei;
eu a empurrei escada abaixo
não queria mais ouvir as magóas
daquilo que poderia ter sido
mas não foi

usuário na via

você era o trem
eu era a moça acorrentada à via
e você passou, assim
impiedoso
furioso e acelerado
eu corria as estações
pedindo por misericórdia
indefesa e infeliz
ninguém veio ao meu encontro
ninguém veio me salvar
ninguém ouviu aqueles gritos de socorro
ninguém podia
era o meu maior medo, esse
de ficar estirada na via dos desesperados
impedindo a viagem dos outros
morrendo aos poucos, aos pedaços
angustiada,
olhando a vida passar pelos trilhos

terça-feira, 4 de junho de 2013

1456 dias

durante
1456 dias, mais ou menos
eu fui tua
tua mulher
tua companheira
tua amiga
tua parceira
enquanto tu foste para mim o universo todo
desconhecido, infinito, temido
eu via as nebulosas em ti
achava lindo
um corpo celeste caindo
um cometa na velocidade da luz
devastando
1456 dias, mais ou menos
e agora as pessoas me dizem para eu seguir minha vida
e viver a vida
e me permitir
só gostaria de descobrir
o que elas sabem afinal
sobre supernovas e explosões gasosas,
sobre tempestades solares
&
sobre a distancia entre o sol e a terra
os anéis de saturno
que brilham para mim todos os dias
sem um pingo de vergonha
e a chuva de meteoros
que dança na galáxia
como se não houvesse amanhã
e eu era a lua
e me alimentava da luz dos outros
da tua
as oito luas de Júpiter
1456 dias, mais ou menos
de incerteza e de tempos de guerra
me vesti de estrelas
tua noiva, tua mulher
1456 dias de um amor incomum
estou há anos luz de mim mesma

segunda-feira, 3 de junho de 2013

"winter is coming"

adentrei a noite
resisti bravamente aos encantos do sono
lamentavelmente recusando
adormecer
parece que eu nunca vou saber
o que de fato nos une
o outro
me espreita pela janela
e sabe dos meus passos
e dos meu deslizes
sabe o quanto você me acalenta
com as suas palavras
e o quanto isso é notoriamente errado
ouvindo os sons da minha respiração marcada
suspirosa,
eu conto as horas, todas
esperando os bons ventos da melhora
porque o inverno há de chegar
e quando ele chegar
quero estar inteira
e recebe-lo de braços abertos
e coração leve
estaremos juntos
eu & ele - frio e impetuoso
o destino dos homens têm dessas coisas