foi ali
no coração da avenida paulista
que eu vi
meu sangue se esvair do corpo
feito água
a dádiva do nilo
que me foi dada
era um dia tão lindo, de chuva clara e cristalina
de tons carvão, cinza flamejante
as antenas de rádio interferiam em minhas estações
internas
enormes
era o transtorno
era o transito
era um misto de contentamento e desespero, em seu estado mais puro
era uma alegria bipolar, esquecida
eu estava vagando por entre os carros
eu estava em todos eles
em pedaços
eu sabia que tinha que continuar
eu não sabia como
mas aquilo, ali,
me era predestinado
eu olhei pela janela do ônibus
que em fúria, corria apressado
expurgando todo o pus desses versos
meus
me deixando ser
aquilo que eu nasci pra ser
eu cheguei no topo daquela rua que não ouso dizer o nome e tive certeza:
pra viver essa vida é preciso ter coragem
máscaras, vestidos, ilusões, serpentinas, amor, contemplação, feriado, devoção, fantasia, coloração, política, ardor, colombinas, enxaqueca, juventude, enredo, comoção, ternura, bebedeira, consciência, jogo, pierrot, literatura, apuração e quarta-feira de cinzas
segunda-feira, 27 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
nós,os outros
felizes aqueles que são amados
amáveis
doces
fáceis
porque nós, os outros
vivemos de sobras
de cinza de cigarros
vivemos das tragadas intragáveis dessa vida
vivemos brindando a dor de qualquer um
que nos alimenta
somos duros, feito o diabo
opacos
nós, os outros
um gole, uma conversa barata
qualquer coisa nos basta
somos poucos, pequenos
não cabemos
vivemos à espreita, na surdina
na sarjeta
na miséria
nossa
&
dos outros
e se não houver um inferno? e se não nos quiserem lá?
quinta-feira, 23 de maio de 2013
dilacerada na selva de pedra
hoje eu tive a exata sensação do meu tamanho. pequena, andei pelas ruas sob a garoa fina com uma bigorna ancorada ao peito. a realidade cinza e fria da cidade se fundiu a mim, caminhei passos errantes, sem saber aonde estava indo. um desconforto tão leal, traguei a fumaça do meu cigarro na esperança de encontrar qualquer purificação. um desconforto que só cabe em meu peito, duro, urbano. o frio que corta e espalha algumas lágrimas perdidas, que insistem em vazar pelo meus olhos. senti que todos os prédios riam de mim, desse tamanho indefinido. todas as cicatrizes expostas, mesmo com todas as camadas de roupas e anseios que me cobrem. nua, minhas pernas sabem bem o peso dessa caminhada.
uma. bigorna. ancorada. ao. peito.
São Paulo, tu és a cidade dos meus pesadelos, mas também é contigo que tenho os sonhos mais bonitos.
Interlúdio ou Matan, parte II
eu desenhei uma estrela de davi na testa
eu te desejei
eu peguei um barco na margem do rio jordão
a vida é um rio de muitas curvas
a minha estiagem
a minha seca
não impede a fluidez dos caminhos passíveis
possíveis
e como as veias de um coração aberto
navegamos
por terras ocupadas, invadidas
somos reféns
somos estrangeiros em nosso próprio solo
eu tatuei uma estrela de davi no peito
para dizer ao mundo que tu mudaste o meu destino
num momento onde nada mais podia dar certo
tu vieste
quando eu chamei por ti em meus sonhos ridículos
agora eu só faço agradecer
e rezar para que tu não morra
em alguma guerra estúpida
e para que possa tu, ainda
mudar o destino de outras moças
sedentas por vida e por beleza
essa beleza ímpar
que é só tua, you damn jew.
eu te desejei
eu peguei um barco na margem do rio jordão
a vida é um rio de muitas curvas
a minha estiagem
a minha seca
não impede a fluidez dos caminhos passíveis
possíveis
e como as veias de um coração aberto
navegamos
por terras ocupadas, invadidas
somos reféns
somos estrangeiros em nosso próprio solo
eu tatuei uma estrela de davi no peito
para dizer ao mundo que tu mudaste o meu destino
num momento onde nada mais podia dar certo
tu vieste
quando eu chamei por ti em meus sonhos ridículos
agora eu só faço agradecer
e rezar para que tu não morra
em alguma guerra estúpida
e para que possa tu, ainda
mudar o destino de outras moças
sedentas por vida e por beleza
essa beleza ímpar
que é só tua, you damn jew.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
FotoFobia
essa urgência em estar viva
essa pressa
que me faz atropelar muros e subverter tudo
me faz criar contos e viver das ilusões
de sonhos vazios, de sanidade incompleta
essa urgência
grita dentro de mim
me faz acordar suada nos domingos
pra escrever os capítulos de uma história
que não será lida
que não será contada
e que não tem protagonista
tento desesperadamente
quebrar esses vícios antigos
e esses hábitos tão nefastos
mas o meu medo
é não sobrar nada
não restar nada
do que fomos nós
daí danço nessa valsa de águas vivas
e despretensiomente balanço os meus cabelos
e me envolvo na música
que dá sentido aos meus passos
me sinto minúscula
penso na via-lactea
penso em como essa urgência
me acolhe
me faz ver outras janelas
contemplar
que nela, não há espaço para
lamentações
apenas
essa pressa
que me faz atropelar muros e subverter tudo
me faz criar contos e viver das ilusões
de sonhos vazios, de sanidade incompleta
essa urgência
grita dentro de mim
me faz acordar suada nos domingos
pra escrever os capítulos de uma história
que não será lida
que não será contada
e que não tem protagonista
tento desesperadamente
quebrar esses vícios antigos
e esses hábitos tão nefastos
mas o meu medo
é não sobrar nada
não restar nada
do que fomos nós
daí danço nessa valsa de águas vivas
e despretensiomente balanço os meus cabelos
e me envolvo na música
que dá sentido aos meus passos
me sinto minúscula
penso na via-lactea
penso em como essa urgência
me acolhe
me faz ver outras janelas
contemplar
que nela, não há espaço para
lamentações
apenas
domingo, 19 de maio de 2013
a música libertadora do ano!
é uma da manhã e eu tô pulando no meu quarto e cantando:
I DON'T CARE! I LOVE IT!
fresh new year, baby!
I DON'T CARE! I LOVE IT!
fresh new year, baby!
quinta-feira, 16 de maio de 2013
tábua rasa
tem um abismo ali na frente
e eu posso fingir que ele não tá lá
e eu posso negar a sua existência
solenemente
ele vai continuar lá
me olhando, me encarando
perguntando quando é que eu vou pular
perguntando quando é que eu vou largar de ser medrosa
e me jogar nessa maré de possibilidades infinitas
ele é escuro, como todos os abismos são
tenho medo dele porque tenho medo do que é novo
sempre
abrigo em mim todos os medos desse mundo
criando muros e barreiras
que me impedem de gozar a sensação
da queda livre
da aceitação daquilo que não pode ser mudado
e da incorporação da vida que pulsa
escondida nos abismos
que preferimos ignorar
e eu posso fingir que ele não tá lá
e eu posso negar a sua existência
solenemente
ele vai continuar lá
me olhando, me encarando
perguntando quando é que eu vou pular
perguntando quando é que eu vou largar de ser medrosa
e me jogar nessa maré de possibilidades infinitas
ele é escuro, como todos os abismos são
tenho medo dele porque tenho medo do que é novo
sempre
abrigo em mim todos os medos desse mundo
criando muros e barreiras
que me impedem de gozar a sensação
da queda livre
da aceitação daquilo que não pode ser mudado
e da incorporação da vida que pulsa
escondida nos abismos
que preferimos ignorar
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